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O coronavírus e o mercado

O mercado financeiro no mundo inteiro sofreu, nos últimos dias, fortes perdas decorrentes da insegurança causada pela disseminação do coronavírus. Eventos inesperados como esse geram movimentos bruscos e podem causar ansiedade entre os investidores.

Reforçando nossa responsabilidade e transparência com os investidores, batemos um papo com o gestor, Luis Felipe Amaral. Na entrevista, ele fala sobre seu posicionamento e a forma como conduz os fundos da casa em períodos como esse.

Confira a entrevista completa.  

Pergunta: Por que o coronavírus causou esse pânico nos mercados, inclusive refletido no Ibovespa?

Luis Felipe Amaral: O “mercado” não gosta de incertezas. Sempre que há aumento de incerteza o mercado reage negativamente. O coronavírus traz incerteza em relação ao ritmo de crescimento global no curto prazo. Ainda é muito cedo para se afirmar se o impacto do coronavírus na atividade econômica global será pontual ou se esse evento pode catalisar uma desaceleração mais prolongada. O Brasil está inserido no contexto global e os mercados de capitais são interligados. Desta forma, é natural que a queda generalizada dos mercados de ações ao redor do mundo também esteja refletindo no Ibovespa.

No entanto, apesar da queda forte do Ibovespa até o momento, não caracterizamos esse movimento como sendo de “pânico”. O mercado, normalmente, reage com certo exagero a notícias negativas. É da sua natureza. Isso é um reflexo da maneira como as pessoas reagem à incerteza e ao risco de perda. O ser humano é avesso a perda e reage desproporcionalmente ao encarar riscos. É como se esse viés estivesse gravado no nosso sistema operacional. Afinal, foi importante para a nossa sobrevivência como espécie. Há milhares de anos, quando nossos antepassados ouviam algum ruído próximo nas savanas, eles corriam antes de ver do que se tratava. Os que não agiam assim, acabavam comidos sem ter a possibilidade de transmitir seus genes para as próximas gerações. Acontece que essa reação natural de correr diante do primeiro sinal de perigo é um péssimo hábito quando se trata de investimentos.

Dito isso, esse movimento até agora não parece ser de pânico. Como as coisas estão evoluindo rápido, pode se tornar pânico, mas ainda não parece ser o caso. A valorização de alguns setores que parecem ter ficado muito “baratos”, como os bancos, nesta quinta-feira sugere até um certo grau de racionalidade. Ajustes de preço de 10-15% de tempos em tempos são normais. Eles não devem afetar o resultado de investidores que têm um horizonte de longo prazo. Apesar de não gostarmos, essa é a realidade com a qual o investidor de longo prazo tem que aprender a conviver.

Coronavírus e o mercado

P: O que podemos esperar do movimento da bolsa nos próximos dias e meses?

LFA: É quase impossível prever os movimentos de curto prazo dos mercados. Sabemos que isso soa estranho para as pessoas. Afinal, como é que investidores profissionais como vocês não conseguem saber para onde vai a bolsa nas próximas semanas? Por que contratamos vocês então? A verdade é que não temos a capacidade de prever as oscilações de curto prazo. Por isso, no nosso caso, nem tentamos. O que fazemos é buscar entender os ciclos de mercado e os fundamentos das empresas em que investimos. Com essa abordagem sendo aplicada de forma disciplinada aumentamos a nossa chance de entregar retornos destacados em horizontes de médio/longo prazo. No nosso caso, sempre investimos com um horizonte de 3 a 5 anos. Com essa janela em mente, achamos pouco provável que o coronavírus afetará, de forma significativa, os fundamentos das empresas nas quais investimos.

P: Esse evento inverte o movimento de otimismo com a bolsa brasileira?

LFA: Dependendo da intensidade do impacto sobre a economia global, esse evento pode reduzir o potencial de valorização da bolsa brasileira no curto prazo. Não mudamos nossa visão positiva em relação a perspectiva de médio/longo prazo da bolsa brasileira.

P: Como o coronavírus afeta os fundamentos das empresas e da economia?

LFA: Como comentamos, não acreditamos que o coronavírus alterará os fundamentos das empresas nas quais investimos ou da economia brasileira no horizonte de 3 a 5 anos.

P: O que o investidor deve fazer nesse momento?

LFA: Nada! Pode ser difícil, antinatural e desconfortável para a maioria das pessoas. No entanto, acreditamos que a ação mais efetiva nesse momento é manter a serenidade e aguardar a turbulência passar. É assim que estamos agindo.

P: Como a Equitas atua para proteger o fundo em eventos como esse?

LFA: Usamos derivativos como seguro de curto prazo para a carteira. No entanto, há custos relacionados à compra desses seguros. Nesse movimento recente, tínhamos pouco seguro de curto prazo em nossa carteira e nosso portfólio sofreu em linha com o Ibovespa. De qualquer maneira, a maior proteção que mantemos é montar um portfólio baseado em empresas sólidas, líderes nos mercados em que atuam, com claros diferenciais competitivos e baixa alavancagem financeira. Assim, temos a segurança de que apesar das possíveis oscilações de preço no curto prazo os fundamentos do nosso portfólio são sólidos e inalterados em momentos de incerteza como o atual. 

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